E de resto o nada que ficou
fechou a porta e olhou pra mim.
O mundo atrás bem que tentou,
fechei os olhos, é o nada enfim.
será assim?
•outubro 1, 2009 • 2 Comentáriosa cidade invisivel
•setembro 16, 2009 • 2 ComentáriosA cidade é invisivel,
multipla de sentidos e todas as direções.
Carne crua ao sol ardente
perambulando meio ausente.
Está cidade paira pelo ar.
Não é uma, ela é muitas.
São todas sobrepostas
por suas arestas opostas
em ângulos inimagináveis.
São todas loucas, gritam roucas.
Todas elas querem nos enlouquecer.
E cada uma delas quer sua parte no seu desespero.
Quer lhe roubar silêncio e profundidade,
lhe fechar os olhos e os ouvidos.
O seu teor é o caos que vem cultivando a anos,
pelos berros e sussuros, pelos cantos obscuros,
pelos assassinos maquiavélicos,
pela ácidez estomacal,
por toda estrutura de concreto e metal.
a tudo falta teor, sobra calor, falta sabor, sobra vapor,
não se têm amor cultiva-se a dor.
quem sabe um dia em um futuro distante… cidades serão habitáveis.
Judith box
•setembro 9, 2009 • 2 ComentáriosComo num conto pela manha
Judith abriu a porta
e lá estava uma pequena caixa.
Olhou ao redor, nada demais.
A duvida lhe invadiu a alma,
o dia lhe engoliu a calma.
Tudo o que poderia acontecer.
Melhor esconder? melhor fugir?
Melhor sofrer? Melhor abrir?
Uma cabeça é pequena demais
para tantas duvidas.
O caminho é um atalho
e o dia foi chuvoso.
Não temos onde ficar.
De qualquer forma
amanhá é outro dia
e a duvidá será certeira
e ela abrirá a caixa
e saberá a diferença entre sonho e pesadelo.
Não queira saber.
A escolha você ja fez
E o peso é bem maior do que parece.
E o dia que alguem der nome aos anjos
e aos demônios saberemos onde estamos.
por enquanto guarde suas duvidas
por enquanto quero dormir e sonhar.

ecce lupus
•dezembro 4, 2008 • 2 Comentários
de como nos tornamos o que não somos
um dia
uma hora
um punhal
uma roda
um pouco a mais
um punhado
uma caverna
uma casa
uma linha
uma cerca
uma lingua
um país
uma “raça”
uma ovelha
um pastor
um tear
uma maquina
um salario
um muro
outro muro
um tiro
escuro
um muro
uma palavra
duas palavras
um pouco a mais
poder
informação
massa de modelar
liberdade?
liberdade?
muro
olho e visão
arroz feijão
circo e pão
televisão
liberdade?
nada muda
filho da puta
tudo se aguça
agua esta suja
a alma esta suja
o sangue esta ralo
o corpo esta frágil
tudo se vai pelo ralo
tudo em vão?
desde o primeiro dia
sinto a mesma sensação
sempre um pouco mais intensa
engolindo devagar meu coração.

Zero Kelvin
•agosto 27, 2008 • 6 ComentáriosSaí à rua, voltei a noite.
Alguém mudou as arvores de lugar
O céu também não estava na mesma posição
Nuvens passavam baixas e rápidas
O chão parecia afundar lentamente
Não encontrei ninguém, ninguém…
A cidade ecoava o silêncio, silêncio…
E do silêncio vinha um vento frio
E frio virou vento e veio forte
O vento virou gelo e nevou.
E a neve mudou a negra noite em branco total.
Andei prendendo ar quente sem respirar.
Andei… .Andei… .Vaguei… .Sonhei…
Dancei em pensamento não sei, não sei mais nada,
Estou sozinho, não sei mais nada, Quem sou?
Me tornei nada, matéria escassa, a junção, a fusão de tudo.
Me tornei branco, nada mais que uma folha em branco.
Cheguei ao Zero…
Nasceu a palavra, ao zero somou-se vários, o branco acabou!
E no país do gelo a cor voltou, o sol raiou forte e refez todo o mundo ao redor,
todos voltaram ao seu devido lugar e uma grandiosa festa começou.
Ponto
•julho 7, 2008 • 3 Comentáriosponto cego
atrás das cores.
ponto flutuante
ante os dias.
cores flores cores.
fluorescente.
incandescente.
descente.
indescente.
desce.
nascente.
esconderijo.
ponto cego.
ponto.
ego.
prego.
lego.
não nego.
brinquedo quebrado.
calado.
trancado.
cada lado.
um lado.
dois lados.
tomando coca.
comendo.
tomando coca.
cola.
cola aqui.
cola acolá.
sempre viva.
sempre livre.
sempre.
sem.
sem sombras.
duvida.
sobras.
divida.
dividida.
dádiva.
dá.
deu .
deutério.
telurio.
escuro.
puro .
muro.
mudo.
esteriotipado.
precipitado.
encarcerado.
parado .
pronto.
ponto.

Curitiba refletida
•abril 2, 2008 • 18 ComentáriosA cidade chama
A cidade clama
A cidade em chamas
A cidade engana
Pelas ruas as pessoas chamam silenciosamente
O rio Belém chama por nós
Ele está em nós
Corre na nossa veia
Umedece nossa alma
Enfeita nossa casa
Por isso chamamos baixinho, ninguém deve nos ouvir.
O dia chega e chama e por estarmos silenciados não nos escuta.
E então a chama se apaga
E o dia se torna cinza
E a noite se torna o refúgio
Curitiba passa rápida e não olha pra ninguém ao lado
Curitiba é noturna, Curitiba é escura.
O nosso inconsciente esta nas ruas declarado.
Curitiba é expressionista,
Somos fisgados pelo nosso rio
Pela nossa alma
Pelo nosso reflexo
Narcisos de um rio nauseabundo,
Até nossa alma se tornar sólida.
Curitiba ainda chama
Curitiba quer falar.


