ângulo obtuso

•março 14, 2008 • 4 Comentários

Faces, cortes, quadros,

Visões, enquadres,

Perspectivas disformes.

Um dia eu vi algo novo

como um recorte do mesmo dia que eu já vivi

e o mesmo lugar que eu já passei

tudo num ângulo diferente.

Como se eu visse partes

se eu andasse e olhasse dentro das coisas

entendendo a estrutura

o molde e a moldura

o suspiro aliviado de quem procura

por uma lógica que simplifique, defina, resuma

e encontrou uma terra

pouco lógica e mais espiritual que se limita ao infinito.

Me ensine a viver sem lógica e acreditar na vida

eu quero esquecer a ciência

e acreditar na essência

que circundou meus dias todos esses anos

e foi esquecida pela razão,

quero encontrar este lado

nos cortes, nas projeções

na arquitetura da alma

e no espírito do mundo

eu quis viver e ver tudo novo.

Que assim seja.

 

sua vida começou de um beijo dos seus pais.

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téco

•fevereiro 29, 2008 • 2 Comentários

me dê um téco
que eu te taco um treco
se fizer eco, eu tomo
um gole de teleco teco
não te troco por três trocos
ja não tento ser atento
estou tonto tanto tempo
tentei fazer um tipo
e cai no esteriotipo
tentei estar no topo,
mas nao saio do sufoco
um trabuco, um trambolho, um trampolin
pulei no ar cai sem fim.

Abaporu, Tarsila do Amaral

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Sonhar, Sonho e Sonho

•fevereiro 3, 2008 • 5 Comentários

Sonho ao forno,

Céu azul,

Nuvem doce.

Desperto assim tão certo,

Tão dentro do sonho

Que penso que posso flutuar facilmente.

Tudo fica leve e perto.

A porta se abriu.

Descobri sem querer que o chão abaixo ficou

E posso as estrelas tocar num simples pulsar,

Agora volto e desço e subo.

Todas as direções são instantes sem noção do perto, distante.

Descobri que tudo pode ser simples,

Descobri que o mal pode esperar

Sentado assistindo a gente voar…

Sintonia…

Agora eu sinto que sonho e o que sinto

Me faz sonhar cada vez mais,

Flutuar…

Me absorver de sonho

E dormir para sonhar e dormir e sonhar

E dormir e sonhar no sonho do sonho do sonho

Agora eu como sonhos, me alimento de sonhos

Concretos, fictícios , doces, leves

Que levam sonhos, que leves

Flutuam e desenham as nuvens o céu

Acendem as estrelas da noite

Sopram o vento da manhã.

Sonhei com você e nunca mais deixei de sonhar.

A eternidade foi aquele dia que não quis terminar.

O sonho saiu do forno,

E agora não sei onde estou,

Dormindo ou acordado meu dia ficou.

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As suposições em suas posições

•janeiro 21, 2008 • 3 Comentários

eterno é o momento em que não se invoca o tempo

feliz é o estado em que viver não é resultado

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fôlego

•janeiro 8, 2008 • 1 Comentário

Em novos tempos

Eterno contraponto

Encho peito de ar e fumaça

Olho para baixo e fico tonto.

 

 

Na minha fuga para o novo

No portal que leva à floresta

No azul que leva ao céu

Na rara alegria que nos resta

A forma não tem arestas

O conteúdo não tem textura

Esta tudo solto e colorido

tudo encontrou sua cura

E tudo nos une num jardim lisérgico

É tudo vibrante estranho e bonito

É o fim do dia, laranja depois da chuva

É a própria chuva que sempre cai distinta

É a noite e o dia que vão e voltam tão opostos

 

É o dormir e acordar todo dia.

 

 

Não da pra entender

Só da pra sentir

Segurar o momento

Entre as mãos

Entre os dedos

Entregando

Entretanto

Entre e sente

Como você se sente?

Um dia novo uma nova semente

Um ar nostálgico

Um futuro lógico

Um dia trágico

E o sentimento mágico

Indecifrável insubstituível incalculável: viver.

 

 

Com as mãos para cima posso tocar o céu

E estamos envoltos em tudo que vemos,

Mas nos aparenta o vazio

De como nos acostumamos a entender o mundo

E cada dia o mundo nos diz como devemos entende-lo

Mas o mundo que aí esta, já vem entendido de anos

Sempre repetindo a mesma fórmula

Nos colocando na rota

Rota cotidiana de colisão interna

Princípios, dúvidas, nossa era eterna.

 

 

Qual carro você quer ganhar?

Que casa você quer morar?

Quanto dinheiro pode te comprar?

 

 

Quero uma casa pequena num campo bonito

Com um belo jardim e o gramado verde

Dias de chuva e dias de sol

Sentimentos inesperados e bolhas de sabão ao vento da tarde.

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foto: Eduardo Giacomini

Espelho Côncavo

•dezembro 18, 2007 • 7 Comentários

Acordo, tomo café, te beijo, te observo um pouco, nada mais, continuo o dia, te digo algo, quase falo o que há de errado comigo, o telefone toca, ninguém fala, a campainha soa ninguém aparece. Você desaparece, vejo outra pessoa em minha casa, talvez você 20 anos mais velha. Você fala da minha insanidade, estou confuso, perturbado, quero voltar ao que era antes, as velhas histórias, o que tinha meio e início. Te digo que durmo e você confirma. Quebro o gelo, quebro um copo, o espelho, quebro a vida.

Acordo, tomo café, saio à rua, olho os carros, as casa, as pessoas, as suspeitas, tento encontrar alguém, alguém me encontra. Um Senhor com verdades, passa absoluta segurança no que diz e me confunde totalmente, minhas desconfianças, suas proposições. Tento tomar uma pílula da verdade, durmo tranqüilo.

Acordo com o gosto de deja vu. Tomo café, penso em Deus, penso na vida. Passam horas, passam coisas pelo que penso, saio ao quintal vejo pássaros livres, vida coerente, nascer voar, vendo um mundo que não vemos, até o dia em que aterrissam subitamente de seu vôo lívido. Penso na posição do pássaro, na minha posição, na nossa posição. Qual é a missão, o desejo, o futuro e o presente. O que fazer?
Olhar as crianças brincarem, pegar um papel e escrever, acordar, tomar café…

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Sonho

•novembro 29, 2007 • 27 Comentários

 

Enquanto o pequeno coração de abóbora sonha sonhos de padaria.


Festas lotam carros passam em alta velocidade causam acidentes no primeiro semáforo garotas beijam-se shoppings centers vendem 50% a mais no natal roupas coloridas invadem a rua da festa mais comentada mães cantam o amigo mais novo do filho na festa de 15 anos da maluca que acaba de voltar da clínica de recuperação nerds digitam alucinados novos códigos lançada nova boneca da Sandy loiras de brincos grandes dirigem o carro do namorado cinéfilos compram boxes do cinema tcheco com desconto no frete uma criança dorme de cabeça para baixo esperando o pai na escada de casa na madrugada hippies vendem felicidade barata e camisetas do bob brincos pulseiras eleição do blog mais lido da net dólar cai mais uma vez 30 mil brasileiros voltam pela quinta vez para o Japão gays fecham associação contra AIDS bicicletas voam pela avenida central bichos de pelúcia contêm peças que podem matar manchetes chegam ao parque gráfico greve dos policiais civis homens caçam mulheres mudas vítima não identificada em assalto a padaria a meia noite em ponto.

A meia noite em ponto.

Ponto.

 

texto por Regina Tangerina,  queridíssima amiga.

 

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“Amalfi” da série 100 pequenas mortes de Janaina Tschäpe